Cronologia

Marcos de uma vida e de uma obra, 1926–2026.

Cronologia em construção. Cada entrada indica a fonte consultada; vai crescendo à medida que o espólio familiar é digitalizado e as datas são confirmadas.

  1. 1926
    Nascimento

    Nasce Carlos Manuel Wallenstein dos Santos Teixeira, a 4 de Novembro, às 5h20, em Ponta Delgada (Açores), de famílias burguesas e aristocráticas (ver Origens e família).

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar) · DGLAB · CinePT

  2. Formação
    Estudos

    Frequenta o Liceu Nacional de Antero de Quental, em Ponta Delgada, e as Faculdades de Direito e de Letras (Ciências Histórico-Filosóficas), nas Universidades de Lisboa e de Coimbra.

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar)

  3. 1943
    Primeiros textos

    Começa a colaborar com poesia, ficção e artigos na imprensa local, nomeadamente no jornal A Ilha, em torno do qual se forma um movimento literário em que intervêm, entre outros, os jovens Joel Serrão e Egito Gonçalves, então em serviço militar nos Açores.

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar)

  4. 1948–1963
    Teatro

    Participa em movimentos de teatro estudantil, experimental e profissional: no TEUC (ver a caricatura de 1948), com Paulo Quintela, no Estúdio do Salitre e no Pátio das Comédias, com António Pedro. Segundo outras fontes, a estreia foi em A Escola de Maridos, de Molière, com direcção de António Pedro.

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar) · Luiz Francisco Rebello, introdução a Obras Completas, vol. 4 (Salamandra, 2000) · CinePT

  5. 1949
    Poesia

    Realiza um recital de poesia no Cine-Jade, em Ponta Delgada (ver Biografia). A fotografia de Fernando Lemos que o mostra como declamador é desse ano (página de abertura).

    Fonte: programa do recital (arquivo familiar) · fotografia de Fernando Lemos, Colecção do Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian

  6. 1953
    Literatura

    Publica Cinco Histórias sem Classificação Especial (contos; Contraponto), a sua primeira obra em livro. No «Do Autor», datado de Maio de 1953, anuncia as obras que tem em preparação, entre elas o Manual do Perfeito Apanhador de Beatas, de que o arquivo guarda um fragmento dactilografado (ver o prefácio).

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar) · DGLAB

  7. 1953
    Vida

    A 20 de Setembro, casa com Maria do Bom Sucesso Furtado de Medeiros Franco, na Ermida de Nossa Senhora do Bom Sucesso (Ribeira Seca, Ribeira Grande).

    Fonte: Eduardo Soares de Albergaria, Machado de Faria e Maya (2013), §21.º; local confirmado pelo convite de casamento (arquivo familiar)

  8. Vários anos
    Poesia

    Durante vários anos realiza recitais de poesia em diversas regiões do país, com o objectivo de expandir o amor pela poesia e o conhecimento da sua expressão contemporânea.

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar)

  9. 1954
    Cinema

    Estreia-se no cinema em três filmes: O Cerro dos Enforcados (de Fernando Garcia; Intendente), O Costa d'África (de João Mendes; Cozinheiro Hilário) e Quando o Mar Galgou a Terra (de Henrique Campos; O Padre). Em 1956 segue-se O Dinheiro dos Pobres, de Arthur Duarte (Pedro das Dores). Ver Cinema e televisão.

    Fonte: CinePT; cartazes em Cinema e televisão

  10. 1957
    Teatro

    Integra o elenco de Rei Lear, de Shakespeare, no Teatro Nacional Popular, com encenação de Francisco Ribeiro (Ribeirinho). Ver a fotografia de Paris, possivelmente de uma digressão da companhia.

    Fonte: programa de 1957, Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD 252223)

  11. 1958–1965
    Televisão

    Participa em numerosos teleteatros da RTP, entre eles O Grande Teatro do Mundo, O Improviso de Barba-Azul e Quanto Importa Ser Leal (1959), O Príncipe de Homburgo (1962) e Noite de Reis (1963). Lista completa em Cinema e televisão.

    Fonte: IMDb (em verificação)

  12. 1960
    Teatro

    Interpreta João Afonso Teles em Leonor Teles, no Teatro Nacional Popular (estreia a 20 de Abril de 1960).

    Fonte: CETbase; a confirmar com o programa.

  13. 1961–1962
    Teatro

    Na Companhia Nacional de Teatro, participa em O Príncipe de Homburgo (Dezembro de 1961), Tirésias (1 de Março de 1962), O Pai (9 de Março de 1962) e Nunca se Sabe (8 de Junho de 1962).

    Fonte: CETbase; a confirmar com os programas. Ver todos os espectáculos.

  14. 1963–1990
    Fundação Gulbenkian

    Ingressa na Fundação Calouste Gulbenkian, onde dirige a Secção de Teatro, no Serviço de Belas-Artes (de cujo director, Nobre Gusmão, é também assistente), e é Secretário Executivo do Levantamento Cultural do País.

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar) · DGLAB · DramaOnline

  15. 1963
    Teatro

    Interpreta um dos incendiários em O Sr. Biedermann e os Incendiários, de Max Frisch, no Teatro Nacional.

    Fonte: Luiz Francisco Rebello, introdução a Obras Completas, vol. 4 (Salamandra, 2000)

  16. 1965
    Teatro

    Com Francisco Mata, assina a versão livre e musicada de O Inspector-Geral, de Gogol, em dois actos e 13 quadros, com música de Jorge Costa Pinto: O Impostor Geral, espectáculo da Companhia Raul Solnado com que se inaugura o Teatro Villaret (10 de Janeiro), com encenação de Francisco Ribeiro. A introdução de Rebello refere ainda a colaboração de Nelson de Barros e de Raul Solnado.

    Fonte: frontispício do original dactilografado (ver em Documentos) · CETbase · Luiz Francisco Rebello, introdução a Obras Completas, vol. 4 (Salamandra, 2000)

  17. 1966
    Poesia

    Publica Teoria da Tributação (Sociedade de Expansão Cultural). Em 30 de Outubro, Fernando Namora escreve-lhe a agradecer o livro («É belo. Bravo.»; ver Documentos).

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar) · DGLAB

  18. 1966
    Fundação Gulbenkian

    Representa a Fundação Calouste Gulbenkian em deslocações ao Médio Oriente, onde acompanha investimentos da Fundação na região (entre eles, segundo notas de família, um campo de futebol em Bagdad) e o restauro e os novos vitrais da catedral de Damasco, em que intervém Almada Negreiros. Em 31 de Outubro, Almada escreve-lhe a pedir notícias do andamento dos vitrais. Duas cartas desse ano ligam-no também a Bagdad: uma, de 29 de Setembro, que recebe de lá a propósito da vinda do coro e orquestra da Fundação, e outra, de 5 de Dezembro, que escreve de Paris ao director do Serviço de Belas-Artes sobre o fecho da exposição da Fundação em Bagdad. Ver Documentos.

    Fonte: carta de Almada Negreiros, 31-10-1966 (arquivo familiar) · cartas de 29-9 e 5-12-1966 (Fundação Calouste Gulbenkian)

  19. 1967
    Cinema

    Em Setembro, propõe a Azeredo Perdigão o apoio da Fundação à Semana de Estudos sobre o Novo Cinema Português, organizada pelo Cineclube do Porto (2 a 10 de Dezembro); a Fundação concede um subsídio de 50 000 escudos. Transmite aos organizadores uma sugestão de Artur Nobre de Gusmão sobre uma possível intervenção da Fundação no cinema português.

    Fonte: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, «Semana de Estudos sobre o Novo Cinema Português, 1967».

  20. 1968
    Fundação Gulbenkian

    Em 14 de Julho, durante a digressão do Ballet Gulbenkian aos Açores, oferece à companhia um jantar nos Fenais da Luz (S. Miguel). Ver as fotografias.

    Fonte: verso de fotografia (arquivo familiar); identificações por antigos bailarinos do Ballet Gulbenkian

  21. 1970
    Fundação Gulbenkian

    Representa a Fundação Calouste Gulbenkian na Expo '70, em Osaka (Japão). No regresso passa pela Índia e pelo Nepal. Ver a fotografia em Katmandu.

    Fonte: fotografia e informação do arquivo familiar; funções e datas em verificação

  22. 1970
    Fundação Gulbenkian

    Em Outubro, recebe Peter Brook em Lisboa, em nome da Fundação, por causa de um protocolo de apoio ao Centro Internacional de Investigação Teatral (CIRT). Ver a fotografia com Brook e José Sasportes (data por confirmar).

    Fonte: Público, 14-7-2022

  23. 1972–1973
    Fundação Gulbenkian

    A 28 de Março de 1972, num apontamento a Azeredo Perdigão, propõe que se exponha, além das maquetes, o objecto criado por André Acquart para o Grupo Gulbenkian de Bailado. A exposição Cenários e Figurinos de André Acquart abre na Fundação a 8 de Junho de 1973. Ver o apontamento e a fotografia da exposição.

    Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian, História das Exposições

  24. 1972
    Teatro popular

    Entrevistado a propósito da representação do Auto da Floripes nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, em que defende a importância do teatro popular.

    Fonte: Núcleo Promotor do Auto da Floripes 5 de Agosto

  25. 1973
    Televisão

    A 24 de Janeiro, a RTP regista uma entrevista a Wallenstein e a Varela Silva sobre Adriano VII, no Teatro Nacional D. Maria II.

    Fonte: RTP Arquivos

  26. 1973
    Fundação Gulbenkian

    No Ciclo de Teatro Popular Tradicional da Fundação, o grupo Formiguinha da Boa Morte, de S. Tomé, vem a Lisboa representar o Tchiloli, a convite da Fundação. Carlos Wallenstein explica o duplo objectivo do ciclo: recriar os espectáculos nas próprias localidades e levar estas obras ao público da capital. Ver a fotografia e o Auto da Floripes (1972).

    Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian, «Tchiloli: viagem à Europa»

  27. 1973
    Televisão

    Assina a versão para televisão da tragédia Ajax, de Sófocles, realizada por Herlander Peyroteu para a RTP, com Eunice Muñoz, João Perry, Lia Gama, Costa Ferreira, Norberto Barroca, Carlos Cabral, Sousa Costa, Eduardo Jacques, Jorge Vale e José Braz, e a colaboração especial de Álvaro Malta; produção de Figueiredo de Barros e música de José Alberto Gil.

    Fonte: RTP, ficha de Ajax

  28. 1973–1974
    Discos

    Grava três discos de poesia, editados pela Sassetti: Camões, Poetas Portugueses dos séculos XIX e XX (2 LP; na nota autobiográfica, «Antologia da Poesia Contemporânea») e Almada. Podem ouvir-se em Arquivo Multimédia.

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar)

  29. 1974
    Teatro

    Faz parte da direcção do Bloco – Companhia de Teatro Livre (com Paulo Renato, Varela Silva, Octávio Clérigo e Vasco Morgado). Assina o texto português de Homem-escravo ou animal?, a partir de Zoo ou L'assassin philanthrope, de Vercors, e interpreta o Prof. Kreps. Estreia a 24 de Julho, no Teatro Capitólio (Parque Mayer).

    Fonte: CETbase, que cita Fragmentos da Memória – Teatro Independente em Portugal (1974-1994), ACARTE, 1994, e o Diário Popular

  30. 1977–1978
    Rádio e televisão

    Participa em programas culturais da RTP, entre eles a série Perfil: o episódio que lhe é dedicado foi emitido na RTP1 a 26 de Outubro de 1978, com autoria de Alexandre O’Neill e Rui de Brito e realização de Jaime de Brito.

    Fonte: RTP Arquivos, Perfil: Carlos Wallenstein · RTP Arquivos

  31. 1977–1978
    Rádio

    Os arquivos da RTP registam as peças radiofónicas da sua autoria Marco Pórcio Catão (1 de Outubro de 1977, realização e direcção de actores de Fernando Curado Ribeiro) e Miau Miau Béu Béu Pum Pum! (12 de Abril de 1978).

    Fonte: RTP Arquivos

  32. 1978
    Teatro

    Dirige, durante sete meses, o Teatro Popular – Companhia Nacional I, deixando o cargo por incompatibilidade com as orientações estatais para a cultura. O primeiro trabalho da companhia é Jesus Cristo em Lisboa (Alexandre O'Neill e Mendes de Carvalho), que Carlos Wallenstein encena com Norberto Barroca; ver o programa e o seu texto de apresentação e o registo na RTP Arquivos.

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar)

  33. 1980
    Rádio

    A 9 de Janeiro, a RTP regista É Urgente o Amor, de Luiz Francisco Rebello, com ensaio e direcção de actores de Carlos Wallenstein.

    Fonte: RTP Arquivos

  34. 1980
    Cinema

    Interpreta o Padre Lino em Manhã Submersa, filme de Lauro António a partir do romance de Vergílio Ferreira. Em 1979 participara na versão televisiva.

    Fonte: CinePT · Cinema e televisão

  35. 1981
    Autobiografia

    Em Ponta Delgada, a 20 de Abril, escreve a nota autobiográfica em que resume o seu percurso. É então Assistente de Direcção do Serviço de Belas-Artes da Fundação Gulbenkian, chefiando o departamento de teatro e assegurando, como Secretário Executivo, o Levantamento Cultural do País.

    Fonte: Nota autobiográfica, 1981 (arquivo familiar)

  36. 1982
    Teatro

    Tem a ideia do espectáculo-documentário Portugal, Anos 40 – Anos 80, prolongamento dramatúrgico da exposição organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian.

    Fonte: texto para a Fundação Calouste Gulbenkian, 2019 (arquivo familiar) · CETbase (data de 16 de Abril de 1982)

  37. 1984
    Teatro

    Interpreta o Marquês de Sade em Marat/Sade, de Peter Weiss, na Comuna (ante-estreia a 24 de Abril; ver o programa). Nesse ano, o colóquio «O Texto e o Acto», de que foi impulsionador, reúne no Solar de Mateus vários pensadores do teatro europeu.

    Fonte: Luiz Francisco Rebello, introdução a Obras Completas, vol. 4 (Salamandra, 2000) · Comuna Teatro de Pesquisa, ficha de Marat

  38. 1984
    Cinema

    Participa na co-produção Tricheurs (Die Spieler), de Barbet Schroeder, creditado como «Karl Wallenstein» (Boudha), ao lado de Jacques Dutronc e Bulle Ogier.

    Fonte: TV Spielfilm · Cinema e televisão

  39. 1985
    Cinema e televisão

    Interpreta o Professor Hinnulus em O Sapato de Cetim, de Manoel de Oliveira, e o Coronel Valadares em O Vestido Cor de Fogo, de Lauro António. Na RTP, integra o elenco da telenovela Chuva na Areia (Neuber), a única que fez.

    Fonte: CinePT; RTP · Cinema e televisão

  40. 1986
    Teatro

    Interpreta Telmo Pais em Frei Luís de Sousa, encenado por Jorge Listopad, no ACARTE.

    Fonte: Luiz Francisco Rebello, introdução a Obras Completas, vol. 4 (Salamandra, 2000)

  41. 1988
    Música e teatro

    Em «Cantar e representar» (Diário de Lisboa, 17 de Junho), Mário Vieira de Carvalho elogia um concerto no Centro de Arte Moderna e refere o contributo de Carlos Wallenstein para a jovem soprano Lúcia Lemos: «com a economia de meios de quem tem profundo conhecimento do seu ofício, como o teatro é decisivo para se cantar bem». Ver o recorte.

    Fonte: Diário de Lisboa, 17-6-1988 (recorte do arquivo familiar)

  42. 1990
    Falecimento

    Morre em Lisboa, a 6 de Novembro.

    Fonte: DGLAB · RTP Arquivos

  43. 2026
    Centenário

    Centenário do nascimento e edição das Obras Completas em quatro volumes. Comemorações em Novembro, em Lisboa e em Ponta Delgada: ver programa.

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