Assinatura de Carlos Wallenstein Carlos Wallenstein, declamador

©Fernando Lemos, 1949

Carlos Wallenstein — centenário (1926–2026)

Figura central do teatro, da literatura e da política cultural portuguesa do século XX

Quem foi Carlos Wallenstein?

Carlos Wallenstein: a voz, o palco e a escuta

Carlos Wallenstein permanece como uma das figuras mais discretas e, simultaneamente, mais estruturais da cultura portuguesa do século XX.

Nascido em Ponta Delgada, em 1926, e falecido em Lisboa em 1990, foi actor, encenador, escritor e, sobretudo, um incansável dinamizador cultural.

A sua recusa em concluir uma formação académica tradicional, abandonando Direito e Letras para se entregar ao teatro, não foi um gesto de abandono, mas de afirmação: Wallenstein construiu uma obra que sempre resistiu ao peso do instituído. Desde a estreia em 1949, com António Pedro, posicionou-se no território do teatro experimental, defendendo uma arte liberta de hierarquias formais e certificações académicas.

É no teatro radiofónico que a sua singularidade mais se afirma. Wallenstein não adaptou o teatro à rádio; reinventou-o. As suas peças constroem um espaço acústico onde a palavra poética, o silêncio e a sonoplastia substituem o olhar, convocando o ouvinte para um exercício radical de imaginação. Obras como Trémulos Perante o Senhor ou Os Fantasmas como Prumo das Decisões Domésticas permanecem referências incontornáveis do género.

Como escritor, inscreve-se na linhagem do surrealismo português, partilhando com esse movimento uma recusa da lógica normativa e uma crítica mordaz à ordem social. A poesia de Teoria da Tributação e Corpo Conflito revela um humor corrosivo e uma lucidez política que resistem ao tempo.

Durante quase três décadas, à frente da Secção de Teatro da Fundação Calouste Gulbenkian, Wallenstein foi também arquitecto de políticas culturais duradouras, apoiando criadores, descentralizando práticas e consolidando o teatro português contemporâneo.

Mais do que um nome, Carlos Wallenstein é um modo de pensar a cultura: livre, crítico e profundamente comprometido com a imaginação como forma de resistência.

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Obra Literária

Uma produção escrita vasta e contínua: poesia (publicada e inédita), contos, crónicas, textos para teatro — originais, adaptações e traduções —, bem como colaborações em jornais e revistas.

Poesia

Selecção de poemas publicados e inéditos, com edições digitais e manuscritos.

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Prosa

Contos, crónicas e ensaios sobre teatro e criação artística.

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Teatro (textos)

Originais, versões e traduções, com fólios digitalizados e contextos de encenação.

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Teatro, Cinema e Televisão

Um percurso invulgar e influente: papéis icónicos, encenações, colaborações com companhias de referência, participações em cinema e televisão, e um legado no teatro radiofónico.

Teatro

Peças em que actuou e produções que encenou; programas, cartazes e crítica.

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Cinema

Filmografia, fotografias de cena, depoimentos e recepção crítica.

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Televisão & Rádio

Participações televisivas e registos de teatro radiofónico.

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Arquivo Multimédia

Fotografias, documentos, áudio e vídeo. Este acervo será ampliado de forma contínua durante o centenário.

Carta da Fundação Calouste Gulbenkian, 1970

Documentos

Programas, cartazes, folhas de sala, recortes de imprensa.

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Comemorações do Centenário (2026)

Quatro momentos em Novembro de 2026, em Lisboa e em Ponta Delgada, com a família, a Comuna, a Cinemateca, a Universidade dos Açores e o Arquipélago de Escritores.

Comuna Teatro de Pesquisa, Lisboa

Leitura da peça radiofónica Os Fantasmas como Prumo das Decisões Domésticas… e leitura aberta de poesia.

Cinemateca Portuguesa, Lisboa

Jogo de Mão, de Monique Rutler (1983).

Colóquio «Um Real Incêndio», Ponta Delgada

Universidade dos Açores / CHAM.

«Carlos Wallenstein: o Real Transgressor»

Performance e leituras na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

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Aceitamos doações/cedências de fotografias, documentos, programas, testemunhos e registos audiovisuais.

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O que procuramos

Há momentos da vida e da obra de Carlos Wallenstein que recordamos, mas ainda não conseguimos documentar. Se tiver programas, cartazes, fotografias, recortes ou memórias, ajude-nos a completar o retrato:

  • Duas encenações de ópera da época, A História do Soldado (Stravinsky), em S. Carlos, e O Castelo do Barba Azul (Bartók): datas, locais, ficha artística, programas e fotografias
  • Fotografias de cena de Marat/Sade (Comuna – Teatro de Pesquisa), em que interpretou o Marquês de Sade
  • Registos do Ajax (RTP, 1973) e de outros trabalhos para rádio e televisão
  • O artigo «Wallenstein I», de Eugénia Vasques, no Expresso de 4 de Novembro de 2000 (p. 17)
  • Anúncios, cartazes e recortes de imprensa de estreias de filmes e espectáculos (por exemplo, O Dinheiro dos Pobres, 1956)

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